O grau de conscientização dos Técnicos-Científicos acerca dos problemas que afligem nossa categoria é crescente, virtude que tem sido demonstrada por intermédio de ações práticas elogiáveis.
Hoje, nossos valorosos colegas da SEDAC receberam em reunião integrantes do SINTERGS, que cumprem um roteiro de visitas às Secretarias de Estado tentando, assim, evitar a realização de uma Assembleia Geral.
Aliás, já conhecemos muito bem o canto da sereia utilizado pelo SINTERGS.
O discurso é sempre o mesmo, assim como foi no início do Governo Yeda, quando venderam aos associados a quimera dos subsídios, que deveria ter sido a panaceia dos Técnicos-Científicos.
Nossos salários iniciais seriam de pouco mais de oito mil reais e, na classe final, receberíamos mais de dezesseis mil reais. Fácil, fácil.
E como terminou o sonho dos subsídios?
Terminou com a entrega de nossas cabeças numa bandeja, para a FESSERGS, com o intuito de transferir, graciosamente, àquela Federação, uma fatia de nossos minguados salários, a título de imposto sindical.
Fomos, em queda livre, da esperança do bom salário para a realidade do pior reajuste da história da nossa categoria, o 4 + 2, típica receita utilizada pela FESSERGS em seus vinte anos de existência para transformar o Quadro Geral em quadro de salário-mínimo.
Como gorjeta, levamos para sempre o constrangimento de ter que ouvir do então Chefe da Casa Civil a seguinte pergunta: vocês estão brincando?
Isso porque a repercussão daquele magnífico – porém, infactível – projeto apresentava uma repercussão financeira de, apenas, trezentos milhões de reais por ano. Uma ninharia que, de tão insignificante, nem foi considerada, à época, pelo SINTERGS.
Claro que não. O importante, segundo a cartilha do sindicalismo parasitário, é jogar para a torcida, alimentar a ilusão de que é fácil transformar raquitismo salarial em farta remuneração. Para quem se ilude com essa raposice, ganhar bem é muito fácil, basta querer.
No plano da realidade, não fosse a GIC, caros colegas, e o então Secretário da Saúde, Dr. Osmar Terra, todo o quadro de associados do SINTERGS estaria hoje à míngua, com apenas o 4 + 2 da FESSERGS. Não se esqueçam disso. Não vamos viver para sempre de GICs, e tampouco haverá, eternamente, um Secretário de Estado para servir de salva-vidas.
A peça teatral que estamos assistindo nessas reuniões setoriais – com toda a falaciosa boa vontade e o inexistente grande empenho daqueles que quase nos arruinaram por fazerem nada – é a mesma que assistimos nos últimos três anos, até porque boa parte do elenco não mudou.
Portanto, é bom ressaltar que o uso da memória é o melhor antídoto contra o canto da sereia.
Enfim, o que houve de elogiável hoje na SEDAC não foi a notória capacidade dos prepostos da FESSERGS de tentar iludir, mas, sim, a entrega de um abaixo-assinado (fotos) elaborado por nossos bravos colegas visando à realização de uma Assembleia Geral da nossa categoria, sem restrição de pauta.
É claro que a resposta a esse pleito, antecipada na própria reunião, foi negativa.
A Diretoria do SINTERGS não quer dessa forma, e pronto.
Vão fazer (“talvez no fim de janeiro”) uma Assembleia sem discussão sobre FESSERGS, CGTB ou outro assunto que não os interessem. Democrático, não? Nós estamos à mercê da vontade deles, e não se fala mais nisso. Assunto encerrado. A categoria não decide mais nada, só a Direção da FESSERGS, digo, do SINTERGS.
Somos 5.400 vaquinhas de presépio fazendo figuração (e pagando mensalidades caras e imposto sindical, claro) para dizer sim ou não ao que as onze divindades da Diretoria permitirem que seja discutido. E se alguém criticar essa postura antidemocrática, ora, isso é apenas “oportunismo político”, coisa de um grupo de, “no máximo, cinquenta pessoas”, como eles fazem questão de dizer.
Esse é o SINTERGS pós-2007. Infelizmente.
Parabéns, colegas da SEDAC. Hoje vocês deram um exemplo de dignidade e de atitude construtiva a toda nossa categoria. Obrigado pela lição.