A assembleia (des) organizada pela diretoria do SINTERGS no dia 28/02 foi tão deprimente quanto reveladora.
Se, por um lado, ficamos estarrecidos com a bizarrice e as irregularidades patrocinadas pelos governistas do Menino Deus naquela oportunidade, por outro, comprovamos tudo o que tem sido denunciado por intermédio deste blog.
Há muito digo que somos representados pelo “consórcio FESSERGS-SINTERGS-CGTB”, e no dia 28/02, num momento em que deveríamos estar discutindo questões da nossa categoria, a direção do sindicato resolve levar para a Assembleia dois capatazes dessas entidades – um da FESSERGS e outro da CGTB – coproprietárias do nosso SINTERGS.
Não tenho dúvida de que fizeram isso porque, como se diz, “é o olho do dono que engorda o gado”.
É bom lembrar que, daqui a pouco, a FESSERGS colocará a mão nos nossos bolsos (pela segunda vez) para levar, graciosamente, o que nossa vinculação a ela garante a título de imposto sindical.
Quanto à CGTB, estamos diante de uma flagrante violação estatutária.
O inciso IX do artigo 5º do Estatuto do SINTERGS determina que a filiação do nosso sindicato a outras entidades sindicais pode ser realizada mediante decisão de Assembléia Geral.
Inexiste, portanto, a possibilidade de que tais vinculações sejam estabelecidas a partir de decisão da diretoria do sindicato.
Porém, como se pode ver tanto pelo que foi publicado em dezembro de 2009 pela própria CGTB (cópia ao final da postagem) quanto pelas informações constantes no SIS - Sistema de Informações Sindicais, do Ministério do Trabalho e Emprego, alguém tratou de – deliberadamente, afrontando o Estatuto do nosso sindicato – vincular o SINTERGS à CGTB, já em 2009.
Como agravante, há o fato de que em 2010 dissemos não à CGTB, numa votação ocorrida na Assembleia Legislativa, no Auditório Dante Barone, logo após a derrubada do veto da Governadora Yeda à emenda da GIC.
Portanto, é preciso apurar a autoria dessa vinculação irregular – quando e de que maneira isso foi realizado – a fim de que esse (s) indivíduo (s) seja (m) responsabilizado (s), posto que nunca houve Assembleia da categoria que autorizasse tal vinculação.
Além disso, quando digo no blog que a diretoria do SINTERGS tem medo de Assembleias da categoria, e que evita realizá-las assim como o diabo evita a cruz, vimos, dia 28/02, que isso também é verdade.
A diretoria chegou ao ridículo de levar seguranças – algo, até então, inédito na história do SINTERGS – para “se proteger” dos associados (o peso na consciência leva pessoas a atitudes desproporcionais, como essa). Se bem que, nesse caso, creio que os associados também estariam protegidos, caso alguém da diretoria sucumbisse a um surto psicótico, algo bem possível de acontecer, como é cediço.
Nesse compasso, inspirada nas modelares democracias da Coreia do Norte e da Líbia, a diretoria do SINTERGS decidiu permitir manifestações de associados pelo exuberante tempo de três minutos.
Não fosse a intervenção do Joanes, e os representantes do governo no Menino Deus iriam restringir o número de manifestações a dez participantes, numa Assembleia com, aproximadamente, quinhentas pessoas (trezentos e cinquenta colegas e cento e cinquenta infiltrados).
Durante as manifestações, aqueles associados que resolvessem dizer o que a diretoria do sindicato não queria ouvir eram presenteados com interrupções e apupos de um grupo de não-associados (e, possivelmente, não-integrantes de quadros representados pelo SINTERGS), “convidados” (infiltrados) pela diretoria a participar da Assembleia.
Sabedor de que esse tipo deplorável de artimanha – típica do sindicalismo de quinta categoria – seria utilizado, entreguei, por escrito, um resumo da minha fala ao 1º Secretário do SINTERGS, a fim de que constasse em Ata:
“Resumo da fala do associado Luciano, que deve constar na Ata da Assembleia Geral de 28/02/2011:
· Que não estamos filiados à CGTB, haja vista que não houve decisão positiva de Assembleia Geral nesse sentido, na forma determinada pelo inciso IX do artigo 5º do Estatuto do SINTERGS. Pelo contrário: em 2010, a categoria rejeitou a filiação à CGTB no auditório Dante Barone, logo após a derrubada do veto da Governadora Yeda à Emenda da GIC;
· Que o fato de não ter sido realizada a Assembleia ordinária de novembro de 2010 caracteriza o descumprimento do disposto no artigo 55 do Estatuto do SINTERGS;
· Que a contratação de serviço de outdoors ou quaisquer despesas extraordinárias não previstas no orçamento de 2011 devem ser previamente aprovadas pelo Conselho Deliberativo, a fim de atender a previsão contida no artigo 45, alínea “d” do Estatuto do SINTERGS.”
Contando com o elevado espírito democrático dessa diretoria, tenho certeza de esse resumo não constará na Ata.
Em suma, tudo aquilo que tenho denunciado pelo blog foi visto pelos colegas na Assembleia do dia 28/02.
O Estatuto do SINTERGS tem sido vergonhosamente desrespeitado pela diretoria do sindicato.
Sonegaram a Assembleia Ordinária de novembro de 2010 (artigo 55), não consultaram o Conselho Deliberativo antes de realizar as despesas com outdoors (artigo 45, alínea “d”), e assumiram perante a categoria que estamos filiados à CGTB, simplesmente porque eles querem essa vinculação, mesmo contrariando o disposto no inciso IX do artigo 5º do Estatuto do SINTERGS e o sonoro não que demos à CGTB no Auditório Dante Barone.
Quando chegou o momento da votação acerca da ideia de colocação de outdoors, o presidente do SINTERGS, antevendo rejeição pela categoria, resolveu, democraticamente, inspirado em Kim Jong-il, encerrar a Assembleia.
Os associados não puderam opinar sobre os outdoors, que já estavam, na verdade, contratados e colocados nas ruas. Quanto custou essa brincadeira? Nenhum associado sabe. Perguntamos, mas os donos do SINTERGS não responderam.
A bem da verdade, acho muito natural esse tipo de comportamento, pois, afinal, quem os associados pensam que são? Acham que podem decidir sobre o tipo de campanha que o sindicato deve fazer? Acham que podem deliberar sobre os gastos realizados pela diretoria do sindicato? Em que mundo os associados andam vivendo? O SINTERGS não é dos associados, é copropriedade da atual diretoria e de seus parceiros FESSERGS e CGTB. Parem de se meter com assuntos do sindicato, ora!
Lembrem-se de que associados do SINTERGS têm apenas três direitos decorrentes dessa condição: pagar a mensalidade sindical mais cara do Rio Grande do Sul, ser (eventualmente) comunicado a respeito das decisões isoladas da diretoria, e, principalmente, empobrecer.
Isso já é muito, não reclamem.
E se vocês resolverem reclamar usando blogs, saibam que serão democraticamente processados, pois ninguém pode saber a verdade sobre o que acontece no SINTERGS.
Estatuto? Dane-se esse tal de Estatuto! O que importa é que o silêncio dos trouxas garanta a tranquilidade dos espertos. Isso é verdadeiramente liberdade, isso é democracia.
Voltando à questão da “negociação salarial”, no momento em que, numa reunião, sugeri à diretoria do SINTERGS a campanha do “luto pela GIC”, não percebi que havia nessa proposição componentes indesejados pela diretoria: participação diária dos associados, desconforto para o governo e baixo custo.
Já a campanha dos outdoors é muito melhor, pois contém características que interessam (muito) aos nossos “representantes”: nenhuma participação dos associados, nenhum incômodo para o governo e alto custo.
A propósito, o governo está preocupadíssimo com os outdoors. O governador perdeu o sono. Não se fala noutra coisa em todo o Rio Grande. “Foi uma idéia brilhante, a idéia do ano”, disse o dono dos outdoors. O governo concordou, pois também achou excelente.
E foi justamente para que os leitores do blog tivessem a verdadeira dimensão da maravilhosa (e cara) campanha dos outdoors que não lancei esta postagem ainda no dia 28/02. Se a tivesse publicado naquele mesmo dia, alguém poderia dizer que sou implicante. Aguardei dez dias. Poderia ter aguardado quinze, vinte dias. Isso não faria diferença.
O primeiro resultado dos outdoors para os técnicos-científicos é ver o CPERS (que, com a maior dignidade, se recusou a integrar o “conselhão”) negociando com o governo.
Em breve haverá um novo resultado: as entidades representativas dos colegas da segurança pública também se reunirão com o governo para iniciar negociações salariais.
O epílogo dessa campanha chapa branca dos outdoors acontecerá na vala comum do CODIPE, onde correremos o risco de ver nossas carreiras mutiladas por um plano delineado de acordo com os interesses do governo. Não tenho dúvida alguma de que, hoje, querem sepultar a GIC.
A verdade é que não temos quem nos represente, quem defenda os nossos interesses. Estamos à mercê do governo, que fará o que quiser, quando quiser, sem qualquer resistência.
Quem deveria nos representar pratica uma subespécie de sindicalismo que viola regras estatutárias, que utiliza expedientes lamentáveis como infiltrar não-associados em assembleias, que faz despesas extraordinárias (e vultosas) sem autorização da categoria, tendo tudo isso como sinônimo de esperteza, de sagacidade. O que importa para esses pseudosindicalistas é fazer com que a entidade por eles dominada esteja a serviço de seus próprios interesses e não dos associados.
O que resta de positivo nessa história triste, marcada pelo peleguismo de onze que massacra milhares é que, a cada dia, mais e mais colegas abrem seus olhos para a realidade.
As máscaras já não conseguem esconder os responsáveis pela nossa situação, e o que digo no blog, colegas, não é implicância. É simplesmente a verdade, nua, crua e documentada.